terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Peraltice

Tenho oito meses e me arrasto pela casa inteira, onde tiver uma porta aberta tô entrando. As três do corredor agora vivem fechadas, escondendo meus objetos de desejo prediletos: as rodas sujas do carrinho, os pés velhos do varalzinho de chão, o piso quadriculado do banheiro e sapatos de qualquer tipo.

A Drª Cris, minha pediatra, disse que em geral os bebês começam a engatinhar aos nove meses e que eu me adiantei. O que ela vai dizer quando souber que hoje fiquei de pé pela primeira vez?! Na verdade, já é amanhã, terça-feira. Fiquei em pé ontem no fim da tarde. Como gostei, continuei treinando à noite.

Tô deixando minha mãe e meu pai loucos porque adoro escalar tudo. Não posso ver nada em cima de cadeira, poltrona, estante, que eu quero pegar, e não desisto até conseguir. Eles sabiam que esse dia ia chegar, mas normalmente seria mais pra frente. Eu é que resolvi fazer uma surpresinha.

De frente

Finalmente tô vendo a rua de frente quando ando de carro. Não aguentava mais sair por aí dentro daquele bebê-desconforto. Quente: morro de calor ali, sempre chego ensopado aos lugares. Pequeno: meus pés ficam espremidos contra o banco do carro. De costas: já tava cansado de ver os prédios passando ao contrário e, quando tava só com meu pai no carro, sempre achava que tava sozinho porque ele me vê pelo espelhinho, mas eu não consigo enxergar nada.
Fiquei muito feliz quando saímos da loja ontem, eu já sentado na nova cadeirinha, super estilosa. De frente, vendo a rua. E gargalhando a cada virada que a mamãe dava pra brincar comigo.

Eu já tenho papai!

Papai o quê?! Não entendi bem quando a mamãe me apresentou aquele velhinho. Não conheço velhinhos com a cabeça inteira branquinha e ainda mais vestido todo de vermelho! E a mamãe ainda disse que ele era o Papai Noel. Eu já tenho papai, e ele não usa luvas de nailon brancas! Não gostei muito desse papai não... Preferi o trenó, pulei à beça de joelhos no banco dele.